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O Duarte Pimenta , aluno do 9ºA desta Escola, participou no Concurso de Literatura Infanto- Juvenil TRIÂNGULO JOTA 2002 , com o conto "Rio Clandestino". Também tu poderás escrever e, quem sabe?... tornares-te um escritor de renome! Segue o exemplo do Duarte e participa com os teus textos nas actividades da tua Escola. Nota: Pelo facto da Escola Eb 2,3 de Prado ter participado neste Concurso, a Editora Asa ofereceu à nossa Biblioteca 50 Livros. Que sorte! A equipa dinamizadora da Biblioteca
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Este é o conto que o Duarte escreveu:
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Já era tarde e lá estavam eles, o Joel, o Jorge e Joana, os três amigos inseparáveis.
E lá foram eles embora, cada um para as suas casas. No dia seguinte, teriam que se levantar cedo. A mãe já tinha o pequeno almoço preparado, por isso chamou pela Joana e pelo Jorge. A Joana era mais dorminhoca, ao contrário do Jorge, que era mais despachado.
Quando o Jorge chegou à paragem do autocarro, o Joel já lá estava.
Durante a viagem, o tema da conversa era sobre o que iriam fazer os três, nas férias grandes.
No portão da escola, os colegas da turma esperavam pelo toque de entrada. O dia estava convidativo para andar de bicicleta ou para ir ao rio dar um mergulho. Mas o dever chamava, e o ano escolar ainda não tinha terminado. A campainha tocou ruidosamente e todos se dirigiram às salas de aula. Os três amigos eram da turma J, do 9º ano. A primeira aula era Matemática, mas só o Joel gostava da disciplina.
Era um professor simpático e muito bem disposto. Esforçava-se por tornar a Matemática uma disciplina interessante, de forma a motivar os alunos. Contudo, o Jorge e a Joana tinham pouca tendência para os números e as formas geométricas.
Estava nestes pensamentos, quando a voz potente do professor soou.
Finalmente, a campainha tocou! Os alunos precipitaram-se para a saída da sala de aula. O intervalo era apenas de dez minutos e, ainda havia muita coisa a fazer. - Joel , Jorge eu vou comer qualquer coisa . Quem quer vir comigo? - perguntou a Joana. - Não, obrigado, mas não me apetece.- disse o Joel. - Eu também não tenho fome, vou até à biblioteca. Preciso de ir devolver um livro.- exclamou o Jorge. Nesse dia, só tinham aulas de manhã. As férias estavam próximas e depois de um ano de trabalho, os alunos já combinavam encontrar-se. Sentia-se uma brisa fresca no ar. O céu estava azul, aqui e ali, viam-se umas nuvens muito brancas. Pela escola, ouviam-se ecos, rumores, correrias e vozes de alunos. A Joana procurava o irmão e o amigo. Faltava pouco tempo para tocar. Iam ter Português e depois Educação Física. " Trim ! Triiim ! A professora encaminhou-se para a sala e a turma também. - Alguém sabe quem foi o pai do teatro português ? - perguntou a professora. O André levantou o dedo. Era o melhor aluno da turma. Tinha os cadernos organizados , impecáveis e a matéria sempre em dia. - Foi...foi.... Gil Vicente!_ disse o André. Os alunos riram-se, estupefactos e admirados pela sabedoria do colega. - Ó " Stôra" ,o Gil Vicente não é um clube de futebol? - perguntou o Filipe. A professora esboçou um sorriso. De seguida, explicou que havia um clube com esse nome, mas também tinha havido um dramaturgo português com o mesmo nome. A aula decorreu, com os alunos a anotarem as obras do Mestre Gil. Quando o toque se ouviu, os alunos saíram em grande azáfama, porque tinham de equipar-se para a aula de Educação Física. - Amanhã é sábado, podíamos ir ao cinema. - sugeriu o Jorge. - Que filme iremos ver ? - perguntou a Joana. - Podíamos ir ver " A mente brilhante". Dizem que é um filme "altamente". - disse o Joel. Combinaram e foram à sessão das cinco horas. O filme comoveu-os, mexeu com eles. - E pensar que a história aconteceu! - dizia a Joana. - Gostei do enredo, mas do que eu, realmente adorei foi o actor, Russel Crowe. Ele é giríssimo! - Ah! A actriz que contracenou com ele também era um espanto.- disse o Jorge. E lá foram os três para casa. Tinham decidido encontraram-se, no dia seguinte, na casa dos dois irmãos. Iam ter teste a Geografia, na segunda- feira. No domingo, o céu estava muito azul e o ar muito límpido. Depois de terem estudado, o Jorge sugeriu que fossem até ao rio. Era a meio da tarde e o sol batia em cheio nas águas do rio. Não havia ninguém e o silêncio era quase contínuo e espalhado por toda as margens do rio. Os três amigos nem se aperceberam das horas. Ficaram lá até muito tarde. Estavam tão absortos na paisagem e na conversa que fluía tão naturalmente, nem repararam que o sol baixara um pouco, estendendo agora uma estrada de lume pelas águas. De repente, um barco aproximou-se. Os amigos calaram-se. Era estranho verem ali um barco àquela hora. Esconderam-se atrás de uns arbustos. Saíram cinco homens do barco: três deles empurravam quase à força os outros dois. Pelo aspecto, não pareciam todos portugueses. Vinham presos com umas cordas. Eram loiros e de olhos claros. O Joel, o Jorge e a Joana nem conseguiam falar. Os seus olhos brilhavam intensamente. De súbito, o Jorge sussurrou: - Quem são ? Que fazem aqui? O que acham que vai acontecer? - Não sei. Serão traficantes ?- perguntou o Joel. De repente, os três homens discutiam e os amigos perceberam que estavam a tomar uma decisão acerca do que iram fazer com os outros dois. - O que vamos fazer ? Precisamos de fazer qualquer coisa ? Será que vão matá-los?- perguntava a Joana. - Não sejas parva. Seria uma estupidez !- disse o Jorge. Mas o Jorge não tinha a certeza. Sentiu medo. Era preciso fazer alguma coisa e tinha de ser já. De outra forma, receava que fosse tarde demais. A noite aproximava-se devagar, devagarinho. Os ânimos exaltavam-se entre os homens, não se entendiam. Então, a Joana disse, baixinho: - Um de nós vai aproximar-se dos que estão presos e tentar desatá-los. - Vamos decidir, antes que seja tarde. Não percamos tempo. - disse o Jorge. - Ah! Lembrei-me de uma coisa. - disse o Joel. Alguém tem telemóvel? Podíamos telefonar para a polícia. - Tenho um plano. - murmurou o Jorge. Joana, tu ligas para a polícia, a contar o que se passa. Joel, tu tentas desatar os homens que estão presos. Eu vou tentar distrair os "maus". - Como é que vais fazer? - perguntou o Joel. - É fácil. Eu consigo imitar os pássaros. Aprendi com o meu avô. O plano foi posto em acção. Quando o Jorge começou a imitar os pássaros, os três indivíduos assustaram-se. Mas o Jorge começou também a soltar uns grunhidos estranhos. O lugar tornou-se aterrador. A noite surgia e a lua aparecia do alto, brilhante e intensa, testemunha do que ali estava a acontecer. Então, os acontecimentos precipitaram-se. O Joel conseguiu libertar os homens. A Joana telefonou à polícia e o Jorge conseguiu assustar os bandidos, que tentaram fugir daquele sítio, pensando tratar-se de um lugar assombrado. Posteriormente, souberam que aqueles homens presos, eram imigrantes de leste que estavam ameaçados de morte, se tentassem arranjar outro emprego. A televisão já tinha ventilado essa notícia, em vários noticiários. Havia pessoas que estavam a explorar estes pobres homens. - Este mundo é mesmo injusto! - dizia a Joana, olhando os amigos. Há coisas difíceis de entender. - Ainda bem que contribuímos para a liberdade das pessoas. - acrescentou o Joel. - Este dia vai ficar para sempre gravado na minha memória . - exclamou o Jorge. Vamos ter muito para contar, amanhã na escola. A noite já ia alta. As águas do rio brilhavam até ao limite do horizonte. O ar estava quente. - Os nossos pais devem estar super preocupados. - disse a Joana. - Não lhes telefonaste? - perguntou o Jorge. - Não, esqueci-me! Os três amigos olharam uns para os outros, sem dizer nada. Não era preciso. Depois de contarem aos pais aquela aventura, podia ser que eles entendessem. Quem sabe...! |